Os fatos e suas repercussões: estamos discutindo o que realmente importa?

By 28 de agosto de 2019Direito

Meu pai, funcionário público federal de carreira, e talvez por ser contador, usava uma expressão diante de certos acontecimentos (brigas, acidentes de carro, roubos, etc): “Contra fatos não há argumentos.

Contudo, talvez em razão de minha profissão, advogado, logo percebi que o fato é uma coisa e a versão sobre ele é outra. Ou seja, o mesmo fato pode ser visto de forma diferente, de acordo com o interesse ou credo de cada um.

Hoje vivemos um momento em que cada dia mais o fato perde espaço para a versão sobre ele, ou seja, um lance de futebol pode ter várias versões, dependendo para qual time o intérprete torce. Tal postura infelizmente evoluiu para a política e o país se divide hoje em “contra o PT”, “Bolsonaro”, “Comunista”, “Fascista”, etc.

O grande problema dessa postura é que certos fatos têm profunda relevância na vida das pessoas e a verdade real perde lugar para a versão ideológica sobre fatos de consequências irreversíveis.

O assunto hoje na mídia são as queimadas na Amazônia. O fato real é a destruição da mata nativa e essa situação tem consequências péssimas para humanidade e para toda a vida na terra.

Mas o que estamos discutindo? Os prejuízos? Não. Estamos discutindo se as ONGs são comunistas ou não, se a mulher do Presidente da França é mais bonita que a do Presidente Bolsonaro ou vice-versa, ou se nos governos do PT havia queimada e, ainda, que os índios vendem as terras. Na verdade, embora algumas dessas discussões sejam importantes, não deveriam ser o foco do momento, pois o fato relevante é a existência de queimada e a exploração irregular de ouro e madeira.

Se alguém erra, não interessa de que lado está. Seja colorado ou gremista, em futebol falta é falta. No dia a dia, é igual. Condutas erradas devem ser reprimidas, ou seja, temos de saber identificar o fato relevante, pois quando vêm as consequências, todos nós sofremos.

Não existem governos perfeitos ou homens acima da lei. É nosso direito votar em quem acreditamos. Mas, quando o eleito está no governo, temos de cobrar resultados positivos. Então, pouco importa a posição ideológica, até porque diante de fatos graves, que podem colocar em cheque a vida do planeta, não podemos permitir versões. Temos de saber a verdade e responsabilizar os culpados.

Alguém acha que desmatar a floresta, matar índios, apropriar-se de terras públicas, retirar ouro e jogar mercúrio nos rios é correto? Seja o governo que for, não podemos permitir a destruição da natureza.

Infelizmente, a destruição é fato. Ou alguém ainda duvida?  O nosso dever é proteger a vida em nosso país e defendê-lo de exploradores, sejam eles americanos, cubanos, israelense, chineses, venezuelanos ou qualquer outro. O que importa é o Brasil, garantir a cidadania, a independência e a soberania.

Portanto, independentemente de você achar que o Bolsonaro está certo, ou que as ONGs, ou mesmo que o Lula estão certos, você deve defender o Brasil e nosso solo, nossa soberania, preservar as matas e florestas brasileiras, pois Lula, Bolsonaro e ONGs passam. O que fica é o nosso povo, a nossa história. Temos de ter coragem de defender o que é nosso, devemos ter Sepé Tiarajú como exemplo que lutou contra os espanhóis e portugueses. Nenhuma versão pode estar acima dos fatos, quando o assunto é vida e soberania. Antes de escolher uma versão, pense na importância de preservar a natureza.

 

Ricardo Silva

OAB/RS 25779

Sócio e advogado – Silva e Silva Advogados