Problemas da sociedade: resolvê-los ao atacar os efeitos?

By 17 de julho de 2019Direito Civil

Lembro de minha infância. Morávamos no interior e, em uma casa vizinha, quando chovia, havia goteiras. O vizinho só lembrava delas quando chovia, e então corria para colocar uma bacia e arrastar a cama. Até que um dia o telhado desabou.

Trago essa passagem para refletirmos sobre como encaramos os problemas em nossas vidas e em sociedade. Na maior parte do tempo, só lembramos de um problema quando nos deparamos com ele. Dificilmente agimos de forma preventiva ou educativa. Normalmente estamos correndo atrás (como meu vizinho colocando bacias e arrastando os móveis).

A violência, como todos nós sabemos, tem origem no modelo de sociedade gananciosa, individualista, indisciplinada, irresponsável, onde ter é mais importante do que ser, onde as mulheres criam praticamente sozinhas os filhos, pois os homens desaparecem, as drogas reinam e o estado só aparece na hora de prender.

As soluções, apresentadas para a violência são paliativas, como a compra de mais viaturas, aumento de efetivo policial, armamento da população, diminuição de idade penal, pena de morte.

Não vou dizer que tais medidas não devam ser tomadas, mas será que resolvem? Acredito que não, pois a todo instante há um novo crime sendo praticado. A repressão pela repressão não leva a nada.

No início do ano, foram festejadas, por alguns setores, as mortes de criminosos em confronto com a polícia. Hoje, choramos a morte de jovens policias, pois em um confronto todos têm a chance de morrer.

Assim, vejo que tais medidas são paliativas. Ainda vejo com tristeza a falta de projeto para os jovens realizarem atividades esportivas, culturais e para responsabilizar homens e mulheres pela paternidade. Essas seriam medidas que resolveriam a violência, definitivamente, pois pessoas felizes, educadas e disciplinadas dificilmente se voltam para o crime. Não é o medo de ser preso que evita o crime, mas a importância que se dá à liberdade.

No final de semana passado, o programa do Luciano Huck mostrou a correria dos jovens, na Coreia do Sul, se preparando para o futuro: aulas de ginástica, tecnologia, música, atletismo, canto, teatro e o país inteiro com as famílias discutindo o futuro dos jovens.  No Brasil, a discussão é a diminuição da idade penal.

Não estou aqui avaliando governos ou os criticando. Estou propondo um debate e uma reflexão sobre até quando vamos arrastar os móveis e colocarmos bacias em nossas goteiras.

Segurança pública se faz com pessoas do bem e não só com repressão das pessoas desorientadas emocionalmente.

 

Por Dr. Ricardo Silva – OAB/RS 25779